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Velhos Tempos

 



         Se voltarmos ao tempo, nos idos de 1945, nos lembramos de um mundo muito diferente deste que agora vivemos. Difícil compararmos os dois. Hoje, a mobilidade urbana, a tecnologia em comunicação e digital, os sistemas de ensino, a mídia e os robôs cada vez mais aperfeiçoados, fazem com que os seus habitantes, seja de que nível social for, se adaptem ou sucumbam ao modernismo. O progresso tem o seu preço e para acompanhar todo este desenvolvimento seria necessário um maior investimento dos governos no plano social. O controle da natalidade, a diminuição das comunidades e a geração de empregos, diminuiria em muito, três problemas mundiais: o desemprego, a fome e a criminalidade, este último consequência dos dois primeiros.

         Nasci em 1935. Dez anos depois a 2ª Guerra Mundial terminou. Vizinhos da comunidade onde eu vivia foram para a rua e se abraçaram. Que lembrança...  Hoje, convivemos com duas guerras até agora sem nenhuma possibilidade de acordo ou paz.  Naquele tempo, cozinhávamos com fogão a lenha.  Quantos gravetos eu e meus irmãos catamos na mata das redondezas para alimentar o fogo e também quantos cavaquinhos e jornais velhos tivemos que cortar para ter a primeira chama. Meu pai fazia linguiças e as deixava penduradas em cordas, acima do fogão, durante semanas. Com esse procedimento, ficavam defumadas e prontas para o consumo. As panelas eram de barro e a banha utilizada era de porco. Não esquentávamos comida mesmo após muitas horas de feitas. Me recordo de um rádio pequeno, com a parte externa imitando uma igreja. Acho que não tinha boa sonoridade porque minha madrasta ficava bem perto dele para escutar uma das primeiras novelas levadas ao ar: Ana Maria. Eu escutava diariamente, capítulos da série  “As aventuras do Anjo”, um dos heróis da época. Televisão somente por volta de 1950, ainda em preto e branco. A primeira brasileira foi a TV Tupi. Eram volumosas e as válvulas de aquecimento tinham que ser constantemente trocadas. As bonecas de pano, mini casinhas e esconde anel entre meninas e o futebol com bolas de meia, carrinhos de madeira, bolas de gude, piões e soltar pipas entre meninos, faziam parte dos principais brinquedos na época.  

 Ir ao circo ou assistir Tom e Jerry mensalmente em um dos principais cinemas da Cinelândia, o Metro, eram programas especiais. As praças, com ou sem brinquedos, eram muito procuradas porque existia segurança e tranquilidade para os pais. Os trens e os bondes eram os principais transportes. Tinha o taioba, um mini bonde mais barato, e o bagageiro, com somente um vagão e menos bancos que era utilizado para transportar passageiros com muitos volumes. O bonde padrão tinha dois vagões com horários e destinos estabelecidos. Por exemplo, o bonde 66 tinha idas e vindas da Usina da Tijuca até a Praça 15. Os bondes foram extintos. Quanto aos trens, de superfície ou subterrâneos, continuam sendo a melhor opção atual de transporte urbano.

         Nos velhos tempos, o direito de ir e vir inserido em nossa constituição era respeitado. Me lembro da excelente Guarda Noturna da qual um dos meus tios fazia parte. Espalhados pelos quarteirões, eles faziam a ronda das cidades durante a noite. Tinham apitos de alto som que usavam para chamar os colegas caso fosse necessário. Hoje, o direito de ir e vir...  Melhor eu ficar por aqui...

 

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Enquanto isso na comunidade seresteira de Conservatória:

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