Após uma noite de sono, acordo. Não importa se foi com beijo
ou abraço carinhoso da esposa ou com algum barulho: despertador, claridade do
dia ou por comando cerebral. Olho o relógio na mesinha de cabeceira e realmente
está na hora que programei acordar: 7.30 hs. Ainda deitado, faço flexões com as pernas para
ativar a circulação. Agradeço a Deus por mais uma noite sem pesadelos e mais um
dia de vida com saúde. Estou pronto para
os afazeres do “dia a dia”.
Afazeres? Um homem com 89 anos de idade? Geralmente, a
grande maioria dos seres humanos com essa idade, mesmo com saúde e boa visão, se
contentam apenas, após o desjejum, em dar uma leve caminhada nas redondezas e ver
o noticiário ou algum filme até o almoço. E uma ligeira soneca após o almoço.
Na parte da tarde ler capítulos de algum livro. À noite, após a ceia, assistir alguma
novela e/ou filmes ou seriados na TV. Claro que, nos intervalos, dar carinho ou
ralhar com neto (s) se os tiver e residir com eles.
Mas, segundo minha esposa Juliana, suspeita para falar do
assunto, ouço de familiares, pessoas e amigos que convivo, sou diferente da
normalidade para esta idade. Não sei o porquê, mas faz bem ao meu “ego” embora
não me considere um super homem. Confesso que não vi o tempo passar nem pensei
quanto tempo iria viver para sonhar ou planejar alguma coisa. Talvez seja esse
o segredo da minha longevidade embora, e aí acredito seja a diferença, eu não
tenha tido qualidade e conforto de vida em grande parte da minha existência,
principalmente na infância.
De berço pobre e órfão
de mãe. Estas duas coisas exigiram de mim, quando criança, muitas outras coisas além
de estudar: trocar os brinquedos por afazeres
domésticos, ganhar uns trocados com busca e entrega de pão e leite para
vizinhos e entregar almoço para alguns operários que trabalhavam em fábricas da
região. Aos 14 anos, meu primeiro
emprego, de office boy, em uma filial da Mesbla, conceituada loja francesa.
Consegui terminar minha escolaridade e ingressar em uma Faculdade de
Odontologia, ter meu consultório particular, ingressar por concurso no serviço
público e, na maturidade, fazer pós-graduação em Ortodontia. Finalmente,
concretizar meu sonho profissional: ser professor na Pontifícia Universidade
Católica (RJ).
O que faço
atualmente com 89 anos para ser visto como extraordinário ou fora do contesto? Quando
convidado, ministro aulas de Ortodontia. Editei meu primeiro livro “Coisas da Vida”
porque sempre gostei de escrever, principalmente crônicas, contos e prosas. Mas
não é somente isso não... Lavo, passo, cozinho, faço compras da semana e do
mês, ginástica e musculação duas vezes por semana no condomínio onde moro e vou
ao Country Clube jogar sinuca alguns momentos semanalmente. Deixando de lado a
seriedade, é melhor não acrescentar mais nada neste conto porque, sem modéstia,
“sou um bom partido” e, por isso, agora bem casado.
Termino com uma frase que considero adequada para todo o
conteúdo:
“Não veja tempo passar,
viva o presente e lute para concretizar seus sonhos”.

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