UM GRUPO DE FRANGOS. Ao saborearem suas rações, alguns
frangos conversam animadamente. Um deles, um pouco maior que os outros, fala
alto: não vou comer, estou de dieta. Os outros, estranhando tal atitude do
colega, perguntam ao mesmo tempo por qual motivo? Estou evitando comer porque
poderei ser um dos próximos a ser consumido por esses hóspedes comilões. Nossos
dias estão contados e não podemos esquecer disso. Os outros, tentando consolar
“o mais gordo”, chamam um colega que, estranhamente, sempre ficava afastado do
grupo e assim nunca participava das conversas. Ele se aproximou e ao saber do
assunto, disse com voz pausada, como se fosse a de um juiz dando uma sentença:
Prestem atenção: “Nossa vida na Terra tem um limite e jamais
poderemos ampliá-la. O importante
para nós será cumprirmos a missão que nos foi determinada”. Após ouvirem
isso, todos os frangos se abraçam e voltam a comer juntos. Logo após o fato,
alguns deles foram escolhidos e levados para o abate, inclusive o mais gordo,
aquele que tinha adivinhado o seu fim.
CONVERSAS DE PEIXES. Ao amanhecer, em um aquário de 60 litros, dois peixes maiores do que os demais
que com eles convivem, cochicham. Puxa, parece que nossos donos esqueceram
novamente da gente. Estou faminto e nada dos grãos saborosos diários. Da última
vez que isso aconteceu acabei devorando dois paulistinhas, lembra-se? Lembro-me
bem responde o outro. Eu também me alimentei de um japonês branquinho e
barrigudo. Coitados, acabaram “pagando o pato”. E tem o seguinte: acho que hoje
vai demorar ainda mais pois observei que os nossos donos chegaram muito tarde e
cambaleantes. Estão dormindo o “sono dos justos”. Teremos que ter paciência
porque “esperar é um dos aprendizados da vida”. E ainda digo mais: nossos
colegas também estão com o mesmo problema e permanecem calados. Um peixe menor
que estava ouvindo a conversa disse: vocês são maiores que nós e precisam de
mais alimentação. Podem nos devorar pois nossas vidas não tem mais sentido. Perdemos
nossa liberdade. Todos os outros peixes pequenos se aproximam e os dois
maiores, vendo a reação dos semelhantes menores, prometeram nunca mais se
alimentarem deles. Conviveriam juntos e sem brigas até suas mortes naturais.
DIÁLOGOS ENTRE DOIS CÃES SEM DONOS. Amigos, todos os dias se
encontram em um parque. Autênticos vira-latas. O maior tem tonalidade amarela e
o outro, bem menor, é de cor branca com listras pretas. As conversas sempre são
as mesmas. Enquanto um reclama que ainda não encontrou nada para comer hoje
porque o caminhão de lixo madrugou e que quase foi atropelado à noite, o outro
se queixa de estar muito sujo e cheio de coceira. Ambos sofrem muito porque ninguém
os adota e não sabem a razão. Nos
expulsam dos restaurantes a pontapés. Água, só na poça d’água. As crianças até
nos toleram, mas os adultos nos enxotam. Que vida difícil a nossa!... E o pior
é que não temos perspectivas de melhora. Não sabemos de onde viemos nem para
onde vamos. Fazemos a nossa parte: nos aproximamos, abanamos nosso rabo,
demonstramos claramente o desejo de sermos adotados. Mas nada acontece. O
melhor que fazemos é não desistir e lutar para vivermos. Por algum motivo
existimos e temos que nos orgulhar disso. Chega de lamentações por hoje. Amanhã
será outro dia...



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