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Histórias Aleatórias 2

 


Um Banco. Sou de madeira e bem antigo. Fico em uma praça de um pequeno município. Uma gigantesca árvore me deixa sem sol e por isso, sou muito disputado principalmente no verão. Ah!... Quantas histórias tenho pra contar e quanto peso tenho que aguentar. De dia, um senta levanta contínuo. À noite é mais calmo porque apenas casais de namorados me usam. E aí tenho a recompensa de, além de contemplar a lua e as estrelas, o privilégio de poder escutar declarações e promessas de amor eterno, ver beijos apaixonados. Que bom seria se o mundo atual fosse mais simples, mas sem guerras ou fome. Somente PAZ E AMOR.

 


Dois Postes. Em uma rua sem muito movimento, eles conversam diariamente. O bom dia deles é sempre afável, mas os papos sempre diferentes. A cada dia acontecem coisas que envolvem os dois ou somente um deles. Uma das queixas diárias, sempre motivo de suas conversas e que os aborrecem, é amanhecerem com os “pés” todos mijados e acham estranho porque ainda não são idosos ou com infecções urinárias. A causa é sempre a mesma: os mijões são os cães da redondeza, vira-latas ou de raça.

Outra coisa que os deixam irados, é o constante aumento de fios em suas “cabeças”, dificultando os seus penteados. E ficam ainda mais chateados quando ficam inclinados, com problemas na coluna ou até com “fraturas expostas”, ao serem atropelados por motoristas bêbados. E o pior de tudo: sem direito de serem atendidos no SUS. São levados para o “ferro velho” e substituídos por novos que, futuramente terão o mesmo fim. É o nosso destino.    

 


Duas Bonecas. Na calada da noite, elas conversam baixinho para não acordarem suas donas que são gêmeas. Hoje, elas dormiram cedo porque se cansaram muito. Saíram e brincaram muito em um parque. Graças a Deus diz uma delas porque não estou aguentando mais o que ela faz comigo: me aperta, me coloca de cabeça pra baixo, desloca meus braços e pernas, me obriga toda hora a falar mamãe e me bate quando cisma que a desobedeci. Ainda bem que sou de plástico resistente e minhas articulações aguentam o tranco. A outra boneca, feita de pano, depois de ouvir as lamentações da colega, cochicha no seu ouvido: não sei quem sofre mais, você ou eu.  As gêmeas, às vezes, me fazem de objeto de luta me lançando pro alto, contra a parede, me fazendo de travesseiro e ainda me suja com batom e outras cositas mais. As duas se abraçam e choram lamentando os fatos mas falam ao mesmo tempo a seguinte frasemelhor esquecermos tudo porque “amanhã será outro dia e seremos eternamente bonecas”.

        

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Enquanto isso na comunidade seresteira de Conservatória:

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