A história se passa na Itália. Giuseppe,
um napolitano bonitão, com 25 anos de idade e ainda solteiro, era muito mulherengo.
Imitando as aranhas, estava sempre pronto para aprisionar em suas teias várias mulheres
ao mesmo tempo. Tinha uma maneira peculiar pra isso. Aproveitando-se de sua
beleza e porte atlético, frequentava, duas vezes por semana, barzinhos situados
não muito longe de onde residia. Eram ambientes com música ao vivo que
rapidamente ficavam lotados. Ocupando as mesas, mulheres sozinhas, solteiras,
casadas, separadas, divorciadas, ou “a fim de”, era o que não faltava. E disso Giuseppe se aproveitava bem. Claro que
não era somente ele querendo salvar a noite... Muitos outros na paquera mas,
com sua lábia e jeito de abordagem, sempre terminava a noite em um motel das
redondezas, e o mais importante pra ele: sem futuras consequências. Nada de trocar telefones,
namoros ou marcar passeios de gôndola em Veneza.
E assim, Giuseppe ia levando a vida. O
tempo foi passando e, quando se deu conta, estava chegando aos 45 anos. Tinha
um bom e estável emprego. Filho único e pais já falecidos que lhe deixaram de
herança a casa onde morava. O que fazer mais na vida? Em uma determinada noite,
sozinho em seu quarto e olhando para o teto, pensou: acho que chegou a hora de
casar, ter uma esposa ao meu lado, ser pai, ser mais responsável. Só assim sairei
desta vida degradante que estou levando... Este pensamento não o deixou dormir
naquela noite e lhe martelou o cérebro. Igualmente nas noites seguintes. Comentando
o fato com amigos mais chegados, todos concordaram que realmente estava na hora
dele procurar a mulher dos seus sonhos, casar e mudar radicalmente de vida. Assustado,
respondeu de imediato: Mas procurar onde e de que jeito? Nunca namorei...! Um dos amigos lhe aconselhou a procurar uma
esposa nos próprios bares onde frequentava. Talvez achasse uma mulher, ainda
solteira ou divorciada, que quisesse um relacionamento sério ou até casar
novamente. Saindo de sua rotina, Giuseppe não saiu de casa naquele fim
de semana. Queria amadurecer a sugestão proposta pelo amigo.
Após esse curto
jejum, Giuseppe regressou ao seu bar preferido. Mudando de estratégia, ficou somente
observando as mulheres enquanto bebia uma cerveja... e as observou durante duas
horas. Estava em sua segunda cerveja quando viu, ocupando uma mesa na parte
mais escondida do bar, uma vistosa e atraente mulher, bem vestida, que não
tirava os olhos dele. Ela o estava paquerando e, pra ele, isso era novidade! Meio
sem graça, Giuseppe a encarou. Ela sorriu e isso era um convite para
aproximação. Foi o que fez. Perguntou à dama se podia sentar-se e ela acenou
que sim. Disse o meu nome e perguntei o dela. Respondeu-me: Caterina. E
assim começou um longo papo. Na madrugada já estávamos amigos. Ela sabendo um
pouco de mim e eu sabendo tudo dela. Tinha 40 anos e era professora. Viveu
durante 05 anos com um suíço que conheceu em uma viagem, mas, faz dois anos que
se separou dele.
Ainda, me contou que o sem vergonha a traiu durante todo
esse tempo. Era casado e tinha três filhos na Suíça. Alegando negócios viajava,
se ausentando às vezes por até 15 dias. E eu, na minha ingenuidade e,
principalmente por amor, aceitava a situação. Por isso, o safado sempre recuava
quando eu falava em casamento. Além de me trair, traiu sua mulher e seus
filhos. Fui corneada por um cafajeste. Ainda bem que não tivemos filhos.
Sempre desconfiei, mas tive a certeza através de uma colega, advogada.
Aproveitando sua ida à Suíça, entreguei xerox de alguns documentos dele e pedi
para ela descobrir alguma coisa a seu respeito. Muito esperta, deu uma de
detetive e, ao retornar, trouxe documentos e provas suficientes para
incriminá-lo. Magoada e ferida em meu ego, não tive dúvidas em terminar o
relacionamento, felizmente sem brigas. Não fiz B.O. nem quis nada dele, apenas minha
liberdade.
Naquela noite não
rolou nada entre nós e nos despedimos apenas com um abraço e um beijo carinhoso
na face. Cada um foi para sua residência. Mas, fiz uma coisa que ainda não
tinha feito com nenhuma outra: delicadamente, entreguei pra ela um cartão com
meu telefone. O dia estava clareando quando Giuseppe foi dormir e muito feliz.
Não é que iniciei um namoro?... Dois dias após aquela noitada, seu celular tocou.
Era ela, Caterina, querendo um segundo encontro...
Adivinhem o final.
Vou dar uma pista... Igual ao de um Conto de Fadas. Casaram
e...

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