Por Lei, idosos tem lugar reservado nos ônibus, trens, metrô ou qualquer outro coletivo, não somente no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Porém, nas horas de rush, principalmente nas estações iniciais ou terminais de embarque, tenho que, quando as portas se abrem, mesmo com risco de acidente, correr para disputar a ferro e fogo um lugar a mim reservado que, invariavelmente, já foi ocupado com passageiro mais jovem. Para evitar constrangimentos ou aborrecimentos, se não me oferecem o lugar, viajo em pé ou espero outro trem ou metrô. Embora os autofalantes sempre propaguem esta prioridade, isso é um problema de educação ou de cultura que somente a longo prazo se resolverá. Ainda, dificilmente, obtenho ajuda dos guardas ou agentes de segurança que, quando presentes, tentam organizar a entrada e saída dos passageiros nos vagões.
Sempre acho por bem divulgar quando acontece algo inusitado, algo inesperado que, óbvio de acontecer, raramente acontece. Em outubro de 2017, na época com 81 anos, embarquei no último vagão de um trem na Central do Brasil com destino a Japerí. Como de hábito, os lugares estavam todos ocupados inclusive com passageiros em pé. Faltavam alguns minutos para o trem partir. Para não o perder, caminhei por dentro dos vagões e, achei um lugar a mim reservado. Satisfeito, não percebi que estava no vagão destinado às mulheres até ser chamado por um agente de segurança que, com educação, me alertou do fato convidando-me para sair do vagão.
Imediatamente,
pedi desculpas e saí do trem. Já estava consciente de que teria de esperar outra
composição quando, alguns instantes depois, o mesmo agente de segurança que me
retirou do trem me chamou pedindo gentilmente para acompanhá-lo. No primeiro
momento, não entendi e até pensei que ia ser preso. Qual não foi minha surpresa
quando o agente entrou comigo em um
vagão onde um lugar destinado a idosos estava ocupado por um jovem. O agente
pediu delicadamente ao passageiro para ceder-me o lugar, no que foi prontamente
atendido. Agradeci ao agente de segurança e ao passageiro e viajei comodamente
sentado até desembarcar em Nova Iguaçu.
Poxa,
parece um conto de fadas! uma coisa inacreditável. Mas aconteceu. O fato ficou
martelando em minha cabeça a ponto de fazer com que, neste ato, o externe
publicamente.
É hábito e de direito as pessoas reclamarem de
tudo que julguem errado ou fora dos padrões. Entretanto, devemos também valorizar
e divulgar quando alguma coisa funciona corretamente, cada brasileiro dando o máximo
de si no exercício do seu cargo ou profissão. Assim, parabenizo aos gestores da
SUPERVIA pelo esforço em proporcionar, apesar das dificuldades,
melhorias para os usuários e ter os devidos cuidados na escolha dos seus
funcionários.

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