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Coisas da Vida

 

Cheguei chegando...

Não por uma cegonha...

Como é contado às crianças...

Mas de um ventre materno.

 

Não tive um berço de rico...

Mas, perfeito e com saúde...

Fui crescendo e logo andei

No chão de uma casa humilde.

 

Fui o último filho de um casal...

Apenas uma irmã e mais quatro irmãos...

Mãe “dona de casa” e pai operário...

Vida difícil sem contestações.

 

O destino foi cruel...

E minha mãe logo se foi..

Não pude ter o seu colo...

Não pude chamá-la mamãe.

 

Meu pai sozinho ficou...

Com seis filhos pra criar...

E logo ficou com uma  “madrasta”...

Pra nos atormentar.

 

Eu e todos os meus irmãos...

Sofremos muito em suas mãos...

E passamos nossa  infância...

Com castigos, nãos e senões.

Adolescência e mocidade igualmente

Não curtimos. Só trabalhando

Para ajudar nas despesas

E uma pequena sobra, um minguado.

 

Fui leiteiro, padeiro e marmiteiro

Mas me sobrava um tempinho

Para soprar algodão e fazer pipa

De piaçaba e papel de pão.

 

O irmão dois anos mais velho

Ajudava no armazém

Que meu pai abriu  e conseguir

Com mais dinheiro  nos suprir.

 

O sonho da única irmã  ser professora

 Infelizmente  não conseguiu

Pois  passou sua vida inteira

Em uma fábrica tecedeira.

 

O irmão mais velho venceu sozinho

Apenas  com instrução primária

Foi de boy a empresário

Mas faleceu no auge de sua história.

 

Outros dois irmãos enfrentaram desafios

Um por não querer estudar

Mesmo tendo padrinho rico

Só queria jogar e se  embebedar.

 

 O outro irmão foi vendedor de doces

Não  conseguiu  se ajustar

Casou e faleceu alguns anos depois 

Deixando 12 filhos pra jovem esposa criar. 

 

Mas o caminho não é somente de espinhos

Também encontramos flores

Eu e um  irmão dois anos mais velho

Os mais bem  sucedidos e sem favores.

 

Nos graduamos em Odontologia

E vencemos na profissão

No consultório e no serviço público

Cumprimos nossa missão.

 

Agora idosos e aposentados

Estamos em novos  e diferentes pontos

Ele infelizmente cego mas com saúde

E eu na literatura escrevendo contos.

 

Finalmente, essa é uma história

Com coisas da minha vida

Momentos, sentimentos, e ciclos vividos

Que jamais serão esquecidos.

 



5/2024 

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Enquanto isso na comunidade seresteira de Conservatória:

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